Intrometido

6 de março de 2019

CALVÁRIO NA FOLIA Justiça libera testemunha-chave do escândalo da Cruz Vermelha antes do Carnaval

Que cinzenta esta quarta-feira de cinzas, meu caro Paiakan. Eis que o noticiário das últimas horas, no pós folia de carnaval, indica que o desembargador Ricardo Vital decidiu liberar Leandro Nunes Azevedo, ex-assessor e braço direito da secretaria Livânia Farias (Administração), apesar de ser testemunha-chave no escândalo desbaratado pela Operação Calvário.

Leandro, como se sabe, foi preso no âmbito da Operação Calvário, poucas horas antes de uma reportagem da Rede Globo exibir o ex-assessor recebendo uma caixa (supostamente de propina), num hotel do Rio de Janeiro, de Michele Cardozo, secretária particular de Daniel Gomes, considerado o chefe da quadrilha, acusada de desviar milhões de reais, a partir de contratos com a Cruz Vermelha gaúcha.

Nos dias anteriores à folia de Momo, muito se especulou sobre eventual delação premiada de Leandro, o que, pelo menos até o momento, não foi confirmado pelo Ministério Público. Na verdade, o ex-assessor de Livânia teria sido ouvido algumas vezes, enquanto esteve detido no presídio PB1. Conforme apurou o jornalista Suetoni Souto Maior, Leandro foi liberado desde 1º de março, ou seja, na sexta anterior à folia.

Pelo que se pode ver, meu caro Paiakan, Leandro, ou contratou os advogados mais competentes da praça, ou tem realmente muita sorte com a Justiça. Sorte que não teve Michele, sua parceira de despacho delivery de caixa supostamente de propina, porque ela continua presa no Rio de Janeiro.

Operação – Durante a Operação Calvário, em 14 de dezembro, foram presas 11 pessoas, inclusive seu chefe, Daniel Gomes, no Rio de Janeiro de teve desdobramentos na Paraíba, com duas prisões e vários mandados de busca e apreensão. Foram detidos o empresário Roberto Kremser Calmon, apontado como intermediador de propinas, e também Leandro, assessor de Livânia. A organização criminosa teria mobilizado mais de R$ 1,7 bilhão.

Doação – O detalhe foi a revelação de que Jaime Gomes da Silva, um parente bem próximo de Daniel, por uma razão ainda não explicada, doou R$ 300 mil ao então candidato Ricardo Coutinho na eleição de 2010. Atenção: em julho do ano seguinte, a Cruz Vermelha gaúcha fechou o contrato com seu governo.

Só na Paraíba, a Cruz Vermelha gaúcha faturou cerca de R$ 1 bilhão, durante a gestão Ricardo Coutinho, entre julho de 2011 (quando o hospital teve a gestão terceirizada), até setembro de 2018. O valor saltou de R$ 8,2 milhões ao mês, para mais de R$ 12 milhões atualmente. Era apenas R$ 4 milhões mensais no final do governo Maranhão III, em dezembro de 2010, quando gerida pelo Estado.

Propinas – Segundo apurou o Globo News, a partir de informações do Ministério Público do Rio de Janeiro, “a quadrilha atuava na Paraíba com o pagamento de agentes públicos”. Os nomes não foram declinados, mas sabe-se que a organização operava sacando dinheiro em espécie para realizar os pagamentos. (Mais no vídeo https://goo.gl/DfneEX, a partir do momento 4:30)

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