Intrometido

20 de novembro de 2016

Cheques que “prenderam” Garotinho, cassaram Cássio e podem apear Ricardo do poder

A Polícia Federal prendeu na última quarta feira o ex governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. A operação da PF investiga há dois meses o uso de um programa social utilizado com o fim de distribuir cheques em troca de votos e apoio político nas eleições municipais deste ano.

Garotinho foi governador do Rio de Janeiro entre 1998 e 2002. Atualmente é secretário de Governo na cidade de Campos dos Goytaacazes, onde a esposa dele, Rosinha Garotinho, foi reeleita no último dia 2 de outubro. Durante o transcorrer da operação da Polícia Federal já foram presos secretários, vereadores e eleitores da cidade.

O tal do cheque em ano eleitoral é demasiadamente tentador, tanto para quem doa, como para quem recebe. Distribuído às vésperas das eleições pode simular uma imagem de bonzinho de quem está com a caneta do cheque e do poder.

Na paraíba em 2006 o ex governador e hoje senador Cássio Cunha Lima também resolveu distribuir 35 mil cheques. Ganhou a campanha do senador Zé Maranhão, foi reeleito, mas em menos de 1 ano teve o mandato cassado pelo TRE da Paraíba. Em 20 de novembro de 2008 teve a cassação confirmada no TSE, e em 19 de fevereiro foi definitivamente afastado do cargo, e Zé Maranhão assumiu seu terceiro mandato de governador.

A história se repete. Também numa campanha de reeleição o governador Ricardo Coutinho aumentou sem qualquer receio, o volume de cheques do programa Empreender. Os procuradores regionais eleitorais Rodolfo Alves da Silva e Victor Carvalho Veggi, constataram abuso de poder econômico, aumento exorbitante, no número de beneficiados, de cheques distribuídos e valores entregues aos cidadãos às vésperas das eleições de 2014.  O MPE ajuizou uma Aime – Ação de Impugnaçãod e Mandato Eletivo – em face do governador Ricardo Coutinho e da vice Lígia Feliciano.

O fato é que esses programas sociais, embora criados através de Lei e 1 ano ou mais , antes das eleições, como determina a regra do jogo, servem muitas vezes para mascarar a compra de votos. Está aí no que deu, um ex governador preso pela PF, um outro teve mandato cassado na Paraíba e o outro ameaçado de perder o mandato e ficar inelegível por 8 anos.

 

Marcelo José

Advogado e jornalista

FacebookTwitterGoogle+Compartilhar